8 de jul de 2016

Aprendi a errar? [Parte 01]



05 DE FEVEREIRO DE 2016

       Existem coisas que acontecem tão de repente, simplesmente chegam sem avisar. Em apenas uma semana, aprendi o verdadeiro poder que a autoconfiança pode ter. No dia 5 de fevereiro de 2016, tive  a certeza de que passei por um dos momentos mais difíceis da minha vida até então. Não perdi um parente, não perdi um amigo, não perdi de ano no colégio, mas acabei me perdendo completamente em quem eu era e quem eu queria ser. Eu acreditava, sonhava, tinha esperanças. Tudo isso se tornou um enorme vácuo em meu coração. Sim, senti a dor de não saber quem sou eu. Como tudo começou? Um evento estava para acontecer no meu colégio e uma seleção para monitores foi aberta. Por já conter experiências anteriores em projetos da casa, resolvi me inscrever. Não sabia o que exatamente procurava, mas tinha a certeza de que queria sair dali diferente. Seria tudo muito simples, inscrição e depois entrevista oral. 
       Para uma pessoa como eu, que gosta de falar, se comunicar, brincar e improvisar enfrentaria isso da forma mais natural possível. O que eu não esperava, era algo bem maior que apenas uma entrevista. Uma conversa com meu maior inimigo, o medo. Três pessoas que via todos os dias passando por mim no corredor, os não-vilões da história, foram os meus temidos avaliadores. Grandes profissionais, os quais guardo tremenda admiração. Por que então se deu mal em algo que realmente queria muito? Alguns perguntam.
       Eles estavam ali, me desafiando, me questionando, me colocando a prova do impossível. Eles: o medo, a angústia e a mágoa. Eu assim os via. Algo entrava no meu peito e me sufocava por dentro, gaguejei, travei, esqueci e até me contradisse. Complexo ou simples? Líder ou Liderado? O que você faria se...? Eram perguntas tão simples, mas tão desafiadoras. Na verdade, garanto que não foram as perguntas, e sim as recordações em forma de pequenos devaneios. Um olhar torno para as paredes brancas da sala de aula enquanto estes anotavam alguma resposta minha dada com tanta incerteza.
       Para os que possuem essa dúvida, eu queria muito mais do que um nome em uma lista de aprovação. Queria a minha auto-aprovação, percebi que não estava tão preparado como deveria. Foram cinco minutos longos e doloridos. Foi como lidar com uma critica, daquelas realmente rígidas, mas fui fraco e não consegui encarar a realidade. Eu apenas não aceitava, e tornou-se muito mais fácil uma fuga para o distante. Más lembranças, essas nada importantes, porém cruéis e inesquecíveis. 
        Durante toda a minha vida fui reprovado em amizade, em companhia, em ser um bom filho. Julgado e repreendido. Você é inseguro? Eu não os odiei, e sim me odiei por ainda recordar momentos tão terríveis.Momentos os quais eu não me conhecia. É incrível como o tocar do vento no seu rosto pode te trazer recordações de uma tempestade num inverno rigoroso. Me perdi em tantos sonhos e planos que já fiz, me senti inútil por não ter sido capaz de responder se era complexo ou simples. Fiquei em pedaços logo após a divulgação do resultado. Meu nome estava lá, mas não como um dos escolhidos.
       Como uma coisa tão pequena pode devastar tanto o interior de alguém? Todos aprovados estavam felizes e a minha única reação foi fugir. Imaturo? Sim, esse era eu. Durante toda a manhã de aula, fiquei escondido nos fundos do colégio enquanto perdia uma prova de história. Ouvia a música mais triste da minha playlist e me odiava com todas as forças. Tremia, suava (talvez, sim, pelo calor) e pressionava minhas mãos sobre o chão cheio de pedras para que me sentisse mais sujo por fora do que me sentia por dentro. Acho que eles estão lá dentro sem dar a mínima pra mim. Era o que eu mais pensava naquele momento, mas estava completamente enganado.


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